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Artigo Série - "A conveniência da cultura". Parte 2 - Desenvolvimento cultural


Artigo Série - "A conveniência da cultura" - Cultura como recurso ou discurso?

É uma narrativa acadêmica divida em três partes que incita questionamentos de como se entende cultura e como é feita a sua utilização no recorte específico abordado nessa sequência. Para elucidar este cenário foi utilizado o autor George Yúdice, que traça um caminho peculiar sobre as nuances da cultura. Não obstante, a proposta dessa série de artigos não se resume em sanar quaisquer lacunas abertas durante essas explanações, mas sim de criar um espaço para o diálogo.

Foto: Silvia dos Santos

Parte 2 - Desenvolvimento cultural

Ao falar sobre desenvolvimento cultural a atenção é voltada para a forma de atribuição que é instaurada a questão. Delgado (1998), ressalta o Grupo Europeu de Estudos sobre a Cultura e desenvolvimento e as capacidades que envolvem a arte e a cultura, a promoção de coesão social no que difere a questões existentes e a forma que a esfera cultural proporciona no preenchimento da lacuna em redução ao desemprego. (Delgado, 1998 apud Yúdice, 2006).

O autor, relaciona a cultura como catalizadora de desenvolvimento, a partir do momento em que as maiores fundações internacionais como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e União Europeia, entendem e reconhecem a cultura como uma esfera fundamental para investimentos e passa a compreender a cultura como fonte de renda estável.

Existem dimensões de desenvolvimento da cultura. A cultura material e expressiva é um recurso subvalorizado nos países em desenvolvimento. Ela pode gerar renda através do turismo, do artesanato, e outros empreendimentos culturais. (Banco Mundial, 1999 apud Yúdice, 2006, p 30 e 31).

Mesmo a cultura caracterizada como fonte de renda estável ela dispõe de um fator imprescindível, a cultura como viabilizadora e consolidadora da cidadania fundamentada na participação ativa da população na sociedade. Por proporcionar e motivar confiança, cooperação e integração social que se reflete na economia. Ou seja, a cultura se torna um agente positivo para uma sociedade mais democrática e um governo efetivo. (Putnam, 1993 apud Yúdice, 2006).

Por outro lado, a cultura por si só não se mantém sem incentivos, só recebe financiamento com a certeza de que possa oferecer uma contrapartida direta ou indireta de retorno para os investidores. Os mecanismos de financiamentos são postulados por compensações almejadas a partir do momento que o dinheiro é injetado no projeto cultural, o retorno são incentivos fiscais, comercialização institucional ou valor publicitário atribuído ao investidor. (Santana, apud Yúdice, 2006).

O modelo de financiamento cultural precisa ser limitado a segmentos específicos da cultura porque a demanda de recursos é grande e porque somente aqueles que podem gerar retorno serão financiados. (Santana, apud Yúdice, 2006, p 32).

A cultura similarmente é apontada como mediador social por estar inseparavelmente atrelada a ideologia, comportamento e posicionamento dentro de um grupo, que deveria traduzir a cultura para uma melhoria sociopolítica e econômica, contudo essa afirmação se torna visivelmente sem profundidade a partir do momento que os bens e objetos culturais são introduzidos em um sistema mercadológico.

Considerações finais

Pode-se entender a cultura como uma forma expansiva e migratória que alcança as esferas políticas e econômicas e por este fator modifica o sentido da noção convencional da cultura e suas ramificações na prática.

Um ponto que merece um olhar mais aprofundado é a identificação da cultura acelerada a partir da proliferação da globalização, a mesma neste momento passa a ser enquadrada mais como um recurso econômico e rentável do que os valores intrínsecos de sua natureza. Nessa continuidade a cultura similarmente é caracterizado como um mecanismo de progresso político e econômico, é indispensável que a este ponto se atente a cultura utilizada como recurso e para gerar renda.

Referências:

YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006. 615 p.

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