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  • Cesar Dias

Após turnê internacional São Paulo Companhia de Dança entra em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso


Foto: Fernanda Kirmayr - Coreografia Melhor Único Dia (estreia) de Henrique Rodovalho

Em ano de comemoração a Companhia que acaba de retornar de sua em turnê internacional que passou pela Alemanha, Áustria, França e Luxemburgo, entra em cartaz com três programas excelentes compostos por sete obras de seu repertório e três estreias: Petrichor (2018), de Thiago Bordin, Instante (2017), de Lucas Lima, e Melhor Único Dia (2018), de Henrique Rodovalho.

A temporada de três semanas se inicia hoje (21) no Teatro Sérgio Cardoso - em São Paulo.

Para completar o programa serão apresentadas as obras; Peekaboo (2013), Pas de Deux de Pássaro de Fogo (2010), Supernova (2009), de Marco Goecke, 14’20” (2002), de Jirí Kylián, Gnawa (2005), de Nacho Duato, Suíte de Raymonda (2017), de Guivalde de Almeida, a partir do original de 1898 de Marius Petipa (1818-1910) e Primavera Fria (2017), de Clébio Oliveira.

A temporada traz um repertório completamente diversificado que em essência é a história da companhia, pois sabe muito bem mesclar a linha clássica com a contemporânea, possibilitando o público a viajar pelas diversas formas, contextos e narrativas da dança.

Uma companhia relativamente jovem, porém já se solidificou como uma das melhores do Brasil e, agora para o mundo. Criada pelo Governo do Estado de São Paulo, a São Paulo Companhia de Dança é dirigida por Inês Bogéa, e neste ano completa seu décimo aniversário, com trajetória marcada por 17 prêmios nacionais e internacionais.

SOBRE AS OBRAS

PROGRAMA I - DE 21 A 24 DE JUNHO | NOITE MARCO GOECKE

PEEKABOO (2013)

Coreografia e figurino: Marco Goecke

Música: Simple Symphony, Benjamin Britten (1913-1976), H.Y.V.Ä e Sininen javalkoinen, com o coral Mieskuoro Huutajat

Execução de figurinos: Thomas Lampertz

Desenho de Luz: Udo Haberland

Dramaturgia e organização: Nadja Kadel

Coprodução: Movimentos Festival Wolfsburg

Estreia pela SPCD: 2013, Wolfsburg, Alemanha

Em Peekaboo, o coreógrafo alemão Marco Goecke lida com ato de esconder e revelar de forma instigante. O título se refere a um jogo infantil conhecido pelas crianças: a pessoa espia (peek em inglês), esconde o rosto e, de repente, reaparece e diz: ‘achou’ ou ‘boo’. “Tudo é uma questão para se perder e encontrar”, fala o coreógrafo.

PAS DE DEUX DE PÁSSARO DE FOGO (2010)

Coreografia, palco e figurino: Marco Goecke

Remontagem para a SPCD: Giovanni Di Palma

Música: Igor Stravinsky (1882-1971), The Firebird (Berceuse e final)

Desenho de Luz: Udo Haberland | Implantação para SPCD: Wagner Freire

Dramaturgia: Nadja Kadel

Figurino: Marco Goecke e Michaela Springer | Execução para SPCD: Judite Lima

Estreia pela SPCD: 2017, Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo

“Marco Goecke criou este pas de deux para a música de Stravinsky – composta para o balé de Michel Fokine (1880-1942), The Firebird, estreado em 1910 – na ocasião dos 100 anos da obra, durante o Holland Dance Festival (2010). Goecke remodela o que na época estava totalmente de acordo com o caráter dos contos de fada russos originais – a luta de Ivan Tsarevich contra o mágico Koschei para libertar Tsarevna e seus companheiros do cativeiro – desembocando em um encontro entre duas criaturas tímidas. Utiliza dois trechos da música de Stravinsky: o acalanto, no qual o mítico pássaro faz todos adormecerem com sua mágica e o trecho final da obra. Seu dueto pode ser interpretado, inclusive, como um encontro entre o pássaro de fogo e o príncipe, duas criaturas de diferentes naturezas: um pássaro que dança e um humano que voa”, fala Nadja Kadel, produtora de Goecke.

SUPERNOVA (2009)

Coreografia e figurino: Marco Goecke

Músicas: Pierre Louis Garcia-Leccia (Ohimé - faixa Aka), Antony & The Johnsons (Another Word - faixa Shake That Devil)

Remontagem: Giovanni Di Palma

Execução de figurino: Madalena Machado (Arte & Cia)

Iluminação original: Udo Haberland

Dramaturgia: Nadja Kadel

Execução de objetos cênicos: Fábio Brando (FCR Produções Artísticas)

Estreia pela SPCD: 2011, Teatro Alfa, São Paulo

Inspirado pelo fenômeno astronômico das supernovas – estrelas que explodem e brilham no espaço, Marco Goecke criou Supernova, uma coreografia de contrastes na qual morte e vida, escuro e claro, estão ligadas pela energia de cada corpo. Para Goecke, cada movimento pode acontecer somente uma vez. "Você pode fazê-lo cada vez mais rápido, então dificilmente ele vai existir no final".

PROGRAMA II - DE 28 DE JUNHO A 01 DE JULHO

14’20’’ (2007)

Coreografia e produção: Jirí Kylián (trecho da obra 27’52’’)

Remontagem para a SPCD: Nina Botkay

Música: Dirk Haubrich (inspirada em dois temas da Sinfonia nº 10 de Gustav Mahler)

Figurino: Joke Visser | Execução de figurinos para SPCD: Judite Lima

Iluminação: Kees Tjebbes e Loes Schakenboos

Estreia pela SPCD: 2017, Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo

14’20”é um extrato de seu balé 27’52’’, no qual o título da coreografia tem referência ao tempo de duração da obra. Com música especialmente composta por Dirk Haubrich, o dueto extremamente físico exige uma entrega total dos intérpretes. “O tempo é o tema base dessa obra. As vozes dos bailarinos originais, que escolheram seus próprios textos para gravar, são executadas para frente e ao revés, assim como os passos da coreografia, causando a sensação de voltar no tempo”, conta Nina Botkay.

ESTREIA | PETRICHOR (2018)

Coreografia e iluminação: Thiago Bordin

Música: Jóhann Jóhannsson e Wim Mertens

Figurinos: Fábio Namatame

Estreia mundial pela SPCD: 2018, Teatro Estadual de Araras, Araras, São Paulo

Primeira criação de Bordin para uma companhia brasileira, Petrichor – nome que remete ao cheiro da terra molhada pela chuva – teve como ponto de partida a música de Jóhann Jóhannsson e Wim Mertens, que, segundo Bordin, permite um vislumbre da criação coreográfica. “Quando ouço Mertens, começo a imaginar a luz, o figurino, os passos”. As características dos bailarinos brasileiros foram outra fonte de inspiração para o criador. “A obra se desenvolveu em diálogo com o elenco. Cada um trouxe uma cor, um caráter forte, marcante, bem diferente do que eu imaginava. E isso acabou por se tornar a parte mais gratificante desta coreografia”.

ESTREIA | INSTANTE (2017)

Coreografia: Lucas Lima

Figurino: Fábio Namatame

Música: On the Nature of Daylight, de Max Richter

Iluminação: Nicolas Marchi

Estreia mundial pela SPCD: 2017, Sesc Jundiaí, São Paulo

Instante é uma criação de Lucas Lima para o Ateliê de Coreógrafos Brasileiros, e tem como ponto de partida a música de Max Richter, que ganhou novas dinâmicas no movimento dos bailarinos da SPCD. Segundo o coreógrafo, a obra trata de “um instante para se encontrar, e outro para se perder. Um instante para decidir, para seguir, para voltar, para se arrepender”. É uma coreografia que introduz novos impulsos e dinâmicas nos movimentos do balé, dialogando com a contemporaneidade.

GNAWA (2005)

Coreografia: Nacho Duato Remontagem: Hilde Koch e Tony Fabre (1964-2013) Música: Hassan Hakmoun, Adam Rudolph, Juan Alberto Arteche, Javier Paxariño, Rabih Abou-Khalil, Velez, Kusur e Sarkissian

Organização e produção original: Carlos Iturrioz Mediart Producciones SL (Spain) Figurino: Luis Devota e Modesto Lomba

Iluminação: Nicolás Fischtel

Estreia pela SPCD: 2009, Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo

Gnawa é uma peça que utiliza os quatro elementos fundamentais - água, terra, fogo e ar - para tratar da relação do ser humano com o universo. A obra apresenta o reiterado interesse de Nacho Duato pela gravidade e pelo uso do solo na constituição de sua dança. Os gnawas são uma confraria mística adepta do islamismo, descendentes de ex-escravos e comerciantes do Sul e do centro da África, que se instalaram ao longo dos séculos no Norte daquele continente.

PROGRAMA III - DE 05 A 08 DE JULHO

SUÍTE DE RAYMONDA (2017)

Coreografia: Guivalde de Almeida, a partir do original de 1898 de Marius Petipa (1818-1910)

Música: Raymonda, de Alexandre Glazunov (1865-1936)

Iluminação: Wagner Freire

Figurino: Tânia Agra

Design Gráfico da Projeção: Cyro Menna Barreto

Essa obra integra o terceiro ato do balé e mostra um diverssement da dança clássica em que vemos a beleza dos desenhos dos corpos na cena e a potência do balé. Guivalde de Almeida assina esta remontagem, ampliando o espaço de criação para o artista da dança do Brasil.

PRIMAVERA FRIA (2017)

Coreografia, palco e figurino: Clébio Oliveira

Música original: Matresanch

Iluminação: Mirella Brandi

Estreia mundial pela SPCD: 2017, Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo

A perda do objeto amoroso é um tema que há séculos inquieta e inspira poetas, pensadores e artistas. Mas, longe de constituir uma experiência metafísica, essa perda é vivenciada no corpo por meio de um intrincado encadeamento bioquímico sofrido e produzido pelo cérebro humano. Percepção, cognição e resposta. Estudiosos da psique, e seus dispositivos neurológicos também se renderam a este tema, trazendo para o campo da ciência o que já florescia na filosofia e na arte. Primavera Fria examina a anatomia de uma ruptura inesperada. É uma jornada do corpo pela perda do objeto amoroso enquanto experiência psíquica e neurológica. A obra propõe um mapeamento afetivo-sensorial do corpo em nosso cérebro.

ESTREIA | MELHOR ÚNICO DIA (2018)

Coreografia e iluminação: Henrique Rodovalho

Música: Criação original de Pupillo com voz de Céu

Figurino: Cássio Brasil

Estreia mundial pela SPCD: 2018, Sesc Santos, Santos, São Paulo

Rodovalho comenta que neste trabalho experimenta movimentos expandidos e continuados a partir da relação dos bailarinos que permanecem todo o tempo em cena. “As referências sobre esta característica vieram de grandes grupos de animais em movimento e como se desenvolvem e se relacionam”, diz o coreógrafo. A obra trata sobre ‘o que tem de acontecer’, neste breve espaço de tempo de existência deste grande grupo, relacionado principalmente a algum tipo de prazer. Por isso, o nome Melhor Único Dia. “Para tentar traduzir, de alguma forma, a curta existência que se expressa através do movimento em grupo”, completa Rodovalho.

Foto: Divulgação - Coreografia GNAWA (2005) de Nacho Duato

SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA

INÊS BOGÉA - Direção Artística

Inês Bogéa é doutora em Artes (Unicamp, 2007), bailarina, documentarista, escritora e professora no curso de especialização Arte na Educação: Teoria e Prática da Universidade de São Paulo (USP). De 1989 a 2001, foi bailarina do Grupo Corpo (Belo Horizonte). Foi crítica de dança da Folha de S. Paulo de 2001 a 2007. É autora de diversos livros infantis e organizadora de vários livros. Na área de arte-educação foi consultora da Escola de Teatro e Dança Fafi (2003-2004) e consultora do Programa Fábricas de Cultura da Secretaria da Cultura do Estado (2007-2008). É autora de mais de quarenta documentários sobre dança.

SERVIÇO

SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA | TEMPORADA 2018 | TEATRO SÉRGIO CARDOSO

PEEKABOO (2013) | PAS DE DEUX DE PÁSSARO DE FOGO (2010) E SUPERNOVA (2009), DE MARCO GOECKE

Dias 21 e 23 de junho | quinta-feira e sábado, às 21h00

Dia 22 de junho | sexta-feira, às 21h30

Dia 24 de junho | domingo, às 18h00

Indicação classificativa: Livre

14’20’’ (2007), DE JIRÍ KYLIÁN | ESTREIA DE PETRICHOR (2018), DE THIAGO BORDIN | ESTREIA DE INSTANTE (2017), DE LUCAS LIMA E GNAWA (2005), DE NACHO DUATO

Dias 28 e 30 de junho | quinta-feira e sábado, às 21h00

Dia 29 de junho | sexta-feira, às 21h30

Dia 01 de julho | domingo, às 18h00

Indicação classificativa: 14 anos

SUÍTE DE RAYMONDA (2017), DE GUIVALDE DE ALMEIDA | PRIMAVERA FRIA (2017), DE CLÉBIO OLIVEIRA E ESTREIA DE MELHOR ÚNICO DIA (2018), DE HENRIQUE RODOVALHO

Dias 05 e 07 de julho | quinta-feira e sábado, às 21h00

Dia 06 de julho | sexta-feira, às 21h30

Dia 07 de julho | domingo, às 18h00

Indicação classificativa: Livre.

ESPETÁCULO GRATUITO PARA ESTUDANTES E TERCEIRA IDADE

Dias 22 e 29 de junho | sexta-feira, às 15h00

Para informações escreva para o e-mail educativo@spcd.com.br

Local: Teatro Sérgio Cardoso

Endereço: Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo/SP

Capacidade: 835 lugares

ACESSIBILIDADE

Desde 2013, a São Paulo Companhia de Dança utiliza o recurso de audiodescrição – modo que transmite ao público cego e surdo, por meio de fones de ouvido, informações sobre cenário, figurino e, principalmente, os movimentos dos bailarinos – em suas apresentações por espaços públicos no interior e na capital de São Paulo. E desde 2014, com o objetivo de viabilizar a implantação de mais recursos de acessibilidade comunicacional, a SPCD ampliou o programa por meio da tecnologia avançada do aplicativo gratuito Whatscine, que transmite para smartphones e tablets os recursos de audiodescrição, interpretação em LIBRAS e subtitulação, permitindo a pessoas com deficiência entrar em contato com a experiência da dança. A SPCD possui fones de ouvido e tablets para as pessoas que não têm o aplicativo em seus celulares.

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