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  • Cesar Dias

Artigo - Liberdade e igualdade do receptor de cultura, dança e comunicação


A questão da comunicação para o entendimento de liberdade de significação e igualdade de recepção de cultura, ou reprodução de informação, pode-se ocorrer pela re-significação do canal entre criador e receptor. A ruptura democrática consiste em discernir a liberdade e igualdade do receptor, consequentemente, podendo ele realizar recusa, aceitação ou, até mesmo, negociação da informação. Outrora, resgata-se que, antigamente, a comunicação era hierárquica, o que corroborava na limitação de transmissão impossibilitando o comunicador/criador, bem como receptor de produzir discussões. Atualmente, cerca da maioria da população mundial está em pé de igualdade, capacitando o receptor a negociar e responder a tais processos de re-significação. Tais rupturas corroboraram no surgimento de três conseqüências:

O reconhecimento do estatuto do autor perturba tudo, pois legitima a questão da alteridade. Situação radicalmente nova e ainda pouco disseminada no mundo. A legitimidade do receptor, logo, da alteridade, muda radicalmente o modelo da comunicação. Esta se torna inevitavelmente frustrante, mas incontornável, tendo a incomunicação como horizonte e a obrigação dos interlocutores de negociar sempre. É nisso que a coabitação (a convivência) constitui um dos paradigmas do século XXI e é indissociável destas três realidades: democracia, abertura e interação. (WOLTON, 2011: 59 e 60)

foto: Retirada da internet - Nó - Cia. de Dança Deborah Colker

A possibilidade de estar conectado - em especificidade - à internet, em justaposição na realidade, pode-se não necessariamente haver convivência. Esta por sua vez, é a ilação de demandada em relação ao tempo e de vontade, bem como de uma ação. Além de nunca ser estática, logo, surpreende a procrastinação da reflexão teórica relativa a um conceito e a uma realidade, ambas centrais, para teoria democrática, bem como para a sociedade contemporânea.

Wolton evidencia que o universo acadêmico internacional, exceto algumas brilhantes exceções, ainda não foi capaz de auferir interesse da revolução teórica da comunicação, além de não ter identificado a dimensão de suas implicações desde o mais teórico ao mais social e cultural, bem como onde a dança contemporânea está inserida, primaziando, nos períodos em que se ocupou o assunto, dar enfoque central à informação que é domesticável e racionável, do que à comunicação considerada sempre mais complexa e frustrante.

foto: Nikolaj - Ballerina in flight - 2014

Particularmente, a possível hipótese de que se o mundo do conhecimento e da cultura tivessem conduzido seriamente o desafio cognitivo e político da comunicação, corroboraria hoje, a ser menos visível o fenômeno de "espetacularização" que se aproveitou do vazio deixado pelo saber.

Não se pode negar abertura ao outro, não se deve esquecer o receptor. É preciso reconhecer a importância da negociação. Em geral, somos obrigados a conciliar dois movimentos contraditórios: o reconhecimento das identidades e a obrigação de construir a convivência cultural entre diferenças para evitar o comunitarismo. (WOLTON, 2011: 62)

foto: Sara Santos - Dança Contemporânea

Em nível social, a partir desses pressupostos o entendimento é asseverativo, pois auxilia no reconhecimento de que a maioria das nossas sociedades são multiculturais, e não o oposto como sendo uma ameaça, excelentemente, para a identidade nacional (identidades dentro da mesma). A diversidade cultural é colocada como uma conjuntura positiva que se impõe as sociedades que tentam não reconhecer as suas variações culturais, é indispensável ressaltar que a cultura e as diversidades estão intrínsecas nas sociedade e reconhecer é evidenciar-se perante o mundo.

Referências:

Silva, J.M. (2011) INFORMAR NÃO É COMUNICAR – DOMINIQUE WOLTON (Tradução de Juremir Machado da Silva)

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