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  • Cesar Dias

Artigo - "Dança contemporânea" - Criar e comunicar


A criação inédita corrobora diretamente na contemporaneidade retratando a sociedade em suas várias facetas, esferas e camadas. Nessa continuidade, a idealização do novo espetáculo pode ser traduzido em um questionamento de inquietude do coreógrafo, no questionamento entre - relações humanas/políticas – a retratação socioeconômica de um período, revisitação histórica de um fato ou época, ou a retratação de um cenário sociocultural e etc.

Todavia, a necessidade do mercado em constante evolução e imediatismo gera o pressuposto da desvalorização precoce do produto (espetáculo), isto é, a criação passar a servir ou ser interessante somente no ato de sua composição, pois em seguida, involuntariamente, vem a sua depreciação por não possuir mais o caráter do inédito.

foto: Silvia Santos - Üngdom - 2015

Com isso, a reiteração do senso comum parte de dois polos, quem produz o produto (companhia), quanto quem consome (público), ou seja, abre-se um parâmetro para quatro vieses de interesse da companhia perante o público que são elas:

(i) ao planejamento da promoção dos espetáculos, o qual deve se iniciar pela análise do programa e ser seguido de um plano de como será vendido ao público em geral, (ii) ao planejamento das temporadas, que necessitam de campanhas específicas para cada produção durante o ano com objetivo de captar o público, (iii) ao planejamento das campanhas de promoção, as quais devem ser comunicações de marketing constantes com o público: e, essencial, (iv) ao planejamento coordenado pelo mesmo indivíduo (centralização e hierarquia na gestão) de todo pessoal que lida com o público... (Dimaggio e Powell (2005) apud Almeida e Hansen, p 145 – Revista Ibero-Americana de estratégia – RIAE, São Paulo, v. 12, n, 3, p. 93125-150, jul./set. 3013).

Por esta premissa, a reiteração do senso comum é gerada por meio da resposta do que se espera, mas não meramente em toda sua extensão. Neste caso nos deparamos com a correlação da Teoria Culturológica, que supõe que a mídia não constrói a padronização cultural, mas que apenas se solidifica na padronização já pré-estabelecida nas sociedades, tornando-se assim submissa a aspectos organizacional social.

Doravante aos preceitos relativos à audiência presumida, a dança contemporânea está significativamente inserida na funcionalidade de comunicar por meio dos movimentos mecânicos corporais, o que faculta a liberdade de expressão física e emocional do bailarino e elucida ao receptor a liberdade de interpretação da obra apresentada de acordo com sua visão de mundo, bem como as experiências e representação pessoal já vivenciadas por ele.

Há certa proeminência da repelência entre as obras contemporâneas, logo que, o receptor se aquerencia a interpretar “obras prontas” como, por exemplo, repertórios de ballet clássico, que são proverbiais à sociedade devido à certa inteligível interpretação. A credibilidade, ou seja, a repercussão da companhia de dança é de factual característica neste segmento, logo que, a veracidade é medida por meio do que é julgado pela visão do receptor.

foto: C.D - SombraMá - 2017

Porém, a consistência da teoria inserida no segmento de comunicar e informar sobreleva a curadoria do jornalista como o profissional que não possui mais o monopólio da informação devido à multifuncionalidade exigida por profissões proporcionadas por intermédio do meio digital, aonde a informação chega a todos os públicos e segmentos. É ponderante avultar que, nada obstante, da comunicação ter se expandido, a capacidade de convivência e de respeito pelas diferenças do outro é determinante e imprescindível, bem como a dança contemporânea.

O processo criativo ganha mais valor. O aprender fazendo, o experimentar, o mudar as “regras” durante o caminho, de acordo com o que se sente. Surgem novas estratégias de composição que contrariam a linearidade, a continuidade, a representação, a figuração, em favor de estruturas com outra lógica, da simultaneidade, da justaposição e da repetição. O corpo dançante ganha um novo conceito. O bailarino passa a ter um treinamento que se utiliza de diversas áreas, como yoga, teatro, artes marciais, etc., buscando o corpo híbrido e multidirecional. (TRAVI, 2012 : 2)

Dessarte, a transição dentro do processo evolutivo da dança contemporânea possibilita uma porta entreaberta para o profissional da dança dentro do fragmento cultural, no sentido de desnudar a possibilidade de mudanças por meio da justaposição do Conceito de Brechas, além de destacar a importância do profissional de diversas áreas e, acima de tudo, valorizá-lo pelo trabalho exercido pelo mesmo, além de aproveitar as oportunidades e não adentrar-se ao comodismo e a alienação do imposto como padronização pela sociedade e, principalmente as mídias, bem como tentar acompanhar as tendências que seguem no meio da prospecção profissional do universo da dança contemporânea, para se perdurar no mercado de trabalho cultural usufruindo de provenientes recursos e impondo-se de maneira exclamativa para garantir seu espaço em meio a mudanças.

Referências:

Silva, J.M. (2011) INFORMAR NÃO É COMUNICAR – DOMINIQUE WOLTON (Tradução de Juremir Machado da Silva): p. 62.

Almeida, D.D.; Hansen, P.B. (2013) PRÁTICAS DE GESTÃO ESTRATÉGICAS EM COMPANHIAS DE DANÇA DO BRASIL: ENTRE A ARTE E A INDÚSTRIA CULTURAL. Revista Ibero-Americana de Estratégia – RIAE, São Paulo: p. 145.

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