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  • Cesar Dias

Entrevista - Hulda Bittencourt


Ser teimosa e persistente foi a formula que Hulda Bittencourt encontrou para concretizar não só seu nome na dança, mas uma vida devota ao sonho de dançar e fazer as pessoas dançarem.

Estreia hoje (21) no Teatro Santander a obra que leva o nome e a história da criadora da Cisne negro. O espetáculo H.U.L.D.A que celebra as quatro décadas da Cisne Negro Cia. de Dança têm direção de Jorge Takla, um dos maiores diretores de espetáculos musicais em atividade no Brasil. O espetáculo retrata a história e as façanhas de Hulda Bittencourt, sobre o começo de sua carreira até a criação de uma das melhores companhias de dança do país, a Cisne Negro Cia. de Dança, conhecida por sua história singular e sua forte identidade de dança contemporânea.

foto: retirada da internet - Hulda Bittencourt

Na direção coreográfica estão a coreógrafa Dany Bittencourt, diretora artística da Cisne Negro; o coreógrafo Rui Moreira, que dançou na Cisne Negro e no Grupo Corpo; na interpretação Ana Botafogo, primeira-bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro desde 1981 e Daniela Severian, maitre e ex-primeira bailarina da Ópera de Wiesbaden, que alternará papel com Ana Botafogo, juntamente com o elenco da Cisne Negro Cia. de Dança.

foto: Divulgação Teatro Santander - bailarina Daniela Severian

Hulda Bittencourt que gentilmente cedeu uma entrevista para este site, quando perguntada sobre sua trajetória do império Cisne Negro, a fundadora se deitou e narrou divertidamente episódios de sua vida que não entraram no espetáculo, mas que foram essenciais para a consolidação de sua vida na dança. Entrevista na íntegra.

O que é 40 anos de existência da sua companhia?

Na realidade tenho pensado muito nisso, e já sabia que faltou uns parafusos na minha cabeça, mas estou achando que foi produtivo, foi muito bom que me faltou uns parafusos. Porque toda a loucura que foi feita, eu não me arrependo de nada. Só tenho a agradecer a muita (muita) gente, começando pelo meu marido. O meu Edmundo.

Edmundo Bittencourt, o químico especialista na dança!?

Meu marido, meu marido era uma pessoa simples, como foi criado, Edmundo. Ele me ajudou a construir tudo (tudo) da escola até a Companhia, ele sempre (sempre acreditou), vendeu tudinho para se jogar em algo que desconhecia, mas sabia que eu amava, a dança. Ele entrou na dança, não ajudou só a mim, mas a toda a categoria da dança. Ele até ficou famoso no Brasil. Não tem escola do interior de São Paulo que não tenha o chamado ou que não conhecesse meu marido, para ajudar, escolher, para dizer como tinha que ser o chão, barra e etc. E o mais engraçado, ele era um químico industrial, não tinha nada a ver com dança, apenas tinha se casado com uma bailarina, mas por sorte ou azar ele se apaixonou pela dança também. Ele virou um ídolo. Um especialista em espaços para dança.

E a história de Hulda Bittencourt e Edmundo Bittencourt?

Quando estudei na Caetano de Campos fazia umas aulas de ballet, tudo escondido, a escola da Maria Olenewa (minha grande mestra) era atrás da Caetano, para mim era facílimo pois eu jogava meus livros lá de cima, depois eu descia as escadas sem bolsa sem livros, sem nada, para que as pessoas não soubessem que eu estava fugindo e corria para fazer aula de dança.

Nos conhecemos no mesmo colégio que estudávamos. O Colégio Liceu Eduardo Prado, eu estudava para ser professora, pois tinha que dar um diploma para o pai, tinha que me formar logo para me livrar logo, pois o que eu queria era dançar e Edmundo estudava química, química.

E a companhia?

A companhia foi criada por conta dos homens. Nunca tive a menor intenção em ter uma companhia, nunca me imaginei dirigido uma escola e uma companhia de dança, mas minha escola era muito próxima a Universidade de São Paulo (USP) a invasão dos homens, foi assim uma coisa assustadora e mais assustadora ainda era porque eles queriam dançar e dançar e um era mais bonito que o outro. Daí eu disse “Gente, vocês bateram na porta errada, eu não sei trabalhar com homens, nunca trabalhei, não estou preparada pois não sei ensinar homens. Mas não teve jeito...

 foto: Silvia Santos - Cena do espetáculo H.U.L.D.A (2017) elenco Cisne Negro e Ana Botafogo

O que a senhora pensa da companhia nesses 40 anos?

Eu acho, mas não quero dizer que sou exemplo, nada disso. Mas eu acho que mostra que ser teimosa, persistente, chata - porque sou muito chata, com alunos e bailarinos - e exigente. Acho que o mais importante é saber o que quer, eu sabia, não da companhia ou de tudo que foi criado, mas sabia que meu amor e dedicação pela dança me levaria a algum lugar, e levou, pois, aqui estamos hoje, eu, você, nós, a companhia e a escola.

Mas a chave maior foi o Edmundo que vendeu todo o laboratório, acabou com tudo que tinha para fazer uma escola de ballet, a minha escola de ballet, o nosso Cisne Negro na Vila Madalena. E começou e ter e vir muita gente para a nossa escola.

E a importância da Cisne Negro no cenário da dança?

Eu acho que primeiro sobreviver 40 anos uma companhia independente, porque nós nunca dependemos oficialmente de um governo, prefeito ou governador. Tivemos ajudas esporádicas que lamentavelmente não foram permanentes, porque seria muito bom se fosse. A gente sobreviveu assim, quando tínhamos ajuda íamos a fundo para valorizar e otimizar tudo o que entrava e quando não, trabalhávamos mais ainda para vender espetáculo e se manter de pé. A companhia para mim hoje é TUDO.

Como a senhora enxergar o patamar da Cisne Negro hoje?

Primeiro, o brasileiro tem uma maneira diferente de dançar que é ótimo. E sem falsa modéstia, sempre me preocupei em acertar nos repertórios, por isso que nunca quis ter um coreógrafo residente. Pois acredito na diversidade de ideias e movimentos para os bailarinos. Mais informações.

Mas eu acho meio pretensioso falar que o Cisne Negro seja uma das melhores companhias de dança, pois o nível de dança no brasil já melhorou bastante, eu acho que as escolas estão trabalhando melhor e as companhias também. Agora, cada uma tem sua maneira de trabalhar. Eu sempre fui exigente, nunca deixei passar nada e sempre procurei trazer os melhores coreógrafos. Então eu acho que todas as companhias têm os seus pontos positivos, como a minha e que todas já são as melhores (nós também) simplesmente pelo fato de todas existirem.

 foto: Silvia Santos - Cena H.U.L.D.A (2017). 

O que é o espetáculo H.U.L.D.A para a senhora?

É para me matar do coração, só isso. Esse louco do Jorge Takla que é fantástico e excepcional em toda área teatral, abraçou a dança de uma maneira que me emociona muito, pois o vejo trabalhar com tanto carinho e amor que eu estou bastante entusiasmada, pois eu não acho que se possa trabalhar em arte sem amor. Seja lá qual for, tem que trabalhar com AMOR.

O espetáculo H.U.L.D.A, vai além de uma simples narração, ele conta a jornada de uma mulher que acreditou, lutou e conquistou. A obra é a força de um sonho concretizado, o horizonte alcançado, uma vida de sacerdócio pela arte da dança. H.U.L.D.A somos todos nós em nossas particularidades e sonho, é um recorte emocionante onde mostra que a dança, é e, faz a diferença na vida das pessoas. Pois a vida é feita de Horizonte, União, Liberdade, Dança e Amor, a vida é feita de H.U.L.D.A.

De 21 a 30 de abril no Teatro Santander - de quinta a domingo.

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