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  • Cesar Dias

A dolorosa paralisação da Orquestra Sinfônica do Paraná e Balé Teatro Guaíra


Que a cultura brasileira é descartável a qualquer momento, já sabemos, mas a pergunta é, até quando aceitaremos isso?

“Assim mais uma vez a cultura foi considerada algo supérfluo, o que é um equívoco pois a cultura determina o caráter de uma nação”, afirma Rene Sato, bailarino do Balé Teatro Guaíra.

A angustia do bailarino refere-se as paralisações das atividades do Balé Teatro Guaíra e a Orquestra Sinfônica do Paraná. Os 22 bailarinos que compunha o corpo artístico da companhia mais 28 por músicos foram exonerados de seus cargos por serem considerados inconstitucionais.

Foto: Marcelo Andrade - Bailarinos em manifestação contra o fim do Balé Teatro Guaíra.

Para entender os problemas que a companhia e a orquestra têm enfrentado atualmente é necessário voltar na história, lá em 1980. Na época, as contratações do Centro Cultural Teatro Guaíra eram realizadas por concurso público, entretanto, com o passar dos anos essa forma de contratação para bailarinos e músicos foi vetada, a última realizada por concurso público ocorreu em 1991.

Com a proibição em 2003, o governo do Estado do Paraná para tentar solucionar o embaraço burocrático, criou 81 cargos comissionados – 31 cargos para os administrativos e 50 para o setor artístico para que ninguém fosse demitido, todavia, por melhor que fossem as intenções a medida encontrada – que era para ser provisória – é ilegal. Ano passado o Órgão Especial do Tribunal de Justiça julgou os então cargos comissionados pelo governo como inconstitucionais, o que todos já sabiam.

Infelizmente, no dia 28 de fevereiro os artistas do Balé Teatro Guaíra e a Orquestra Sinfônica paralisaram suas atividades por tempo indeterminado por terem sido exonerados de seus cargos. Como meio para o desentrave legal foi criado pela direção do Centro Teatro Guaíra o PALCO PARANÁ um Serviço Social Autônomo (SSA) para dar continuidade as suas atividades. Basicamente é uma medida que desempenha serviços privados de interesse público e são sustentados por tributos oriundos de contribuições compulsórias, caracterizadas como entes paraestatais, pois não integram a Administração Pública. A criação e instauração da SSA, era uma medida que deveria ser implementada para que não acontecesse a paralisação das atividades do BTG e da Orquestra Sinfônica como prometido pelo Governo do Paraná, o que de fato não aconteceu.

“Sabemos desde o início que a direção do Teatro Guaíra não está medindo esforços para regularizar esta situação, mas esbarra em problemas maiores como a dependência de liberação de verba do Governo do Estado e barreiras burocráticas. Sim, existe uma indignação diante as promessas do Governo que não haveria paralisação entre a exoneração e a recontratação, agora não sabemos quando voltaremos a trabalhar”, relata o bailarino.

Foto: Tom Lisboa - Bailarinos no ato que classificaram como de despedida.

O PALCO PARANÁ, foi instituído em 2014 pela Lei n° 18.381/2014 com a finalidade de fomentar e desenvolver as atividades do Centro Cultural Teatro Guaíra, como a produção de espetáculos e prestações de serviços relacionado às expressões artistas da instituição.

Para a implementação da SSA é necessário o cumprimento de vários requerimentos, um deles é a contratação de todo corpo artístico em novo um processo seletivo. Contudo, a verba liberada pelo Governo é insuficiente para o cumprimento das exigências, o que foi disponibilizado supre apenas a contratação de bailarinos e músicos, mas uma companhia profissional se limita apenas a esses cargos? E os ensaiadores, professores, diretores, coreógrafos, cenógrafos, figurinistas etc.?

Em um país continental como o Brasil, que emana tantas manifestações culturais, ano após ano a cultura sofre com o descaso das gestões públicas. Certamente o que poderia ser o maior trunfo desse país - a realização cultural esplêndida e rica que se produz aqui - acaba por ser tratada de maneira leviana, inconstante e desnecessária.

Foto: Marcelo Andrade - Bailarinos no ato de despedida do Balé Teatro Guaíra, em 28 de fevereiro, 2017.

“Algumas pessoas acham que nossa manifestação realizada no dia 23 de fevereiro, era por indignação por causa dos nossos empregos. Não é sobre o nosso umbigo, nunca foi, é sobre a arte. É sobre o período que os cidadãos ficarão sem o Balé”, finaliza Rene Sato.

Rene Sato, antes de integrar o corpo artístico do Balé Teatro Guaíra, trabalhou nas companhias; Cisne Negro Cia. de Dança, São Paulo Companhia de Dança e Cia Anderson Couto.

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